Terno e gravata
Ela se espreguiçava enrolada na coberta, lânguida, o corpo eletrificado, deixando ir embora aquele resquício de gozo, uma sobra do prazer. Abrindo os olhos, podia ver a silhueta dele no banheiro, suas pernas magras, suas coxas entalhadas, sua bunda enviesada, as costas largas que a agradaram tanto. Nada fazia, não se lavava, não escovava os dentes, não se admirava, apenas encarava o próprio reflexo no espelho, profundamente. “O que você está fazendo aí que não vem me abraçar?”, perguntou ela, o mais docemente que lhe foi cabível. “Apenas lembrando de algumas coisas”, vago. “De outras?”, ela provocou. Ele tornou a cabeça, os olhos divertidos. Um sorriso fora de lugar a confundia, fazendo-a pensar se achava graça, se confirmava o que havia dito, ou se a tomava por ridícula. “Maldição”, ela chegou a pensar, “que porra de homem é esse que nunca deixa claro o que pensa?”. Os pensamentos dela foram mutilados pela voz cavernosa dele. “Eu lembrava de um tempo em que eu jamais estaria aqu...