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O incrível relato do homem que se tornou uma cadeira

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Olhando para os lados, a única coisa que se vê são luzes, brilhantes luzes. A boca está seca: é quando eu percebo o copo americano gelado numa das mãos. Pelo canto dos olhos, eu posso assistir qualquer garota mexer seus quadris de acordo com o som que sai alto, ensurdecedor mesmo, das caixas de som. Na minha frente, sentam-se pessoas. Elas vêm, elas conversam, elas riem, elas se levantam e se vão. Não consigo ouvir nada do que dizem. O copo nunca está vazio, caros amigos. O que quer que esteja dentro dele me faz sorrir. Um sorriso que nunca vai embora. E com meu sorriso os interlocutores se sentem encorajados. Continuam falando e rindo. Vez ou outra alguém pega na minha mão. Depois alguém sempre comenta como elas estão geladas. Ainda não perceberam que eu morri. Pode ser que eu tenha morrido mesmo, sabe, cessação da vida e tudo, morte cerebral para os juristas. Morte não é bem um conceito absoluto, talvez eu só esteja gelado e só passei dessa para melhor no sentido metafórico. Porém...