Barbancourt
A distância entre a lua e o Pachuco era de aproximadamente trezentos e oitenta mil quilômetros. Quando eu olhava pela janela da espelunca, contudo, a paisagem pobre, com o nobre satélite coroando-a, tornava tudo sufocadamente próximo. Não que fosse esse exatamente meu pensamento naquela noite de comemoração, mas teimava em ficar pensativo, mesmo com copos a serem tornados, logo à minha frente. Gorila encheu meu copo de Barbancourt e olhou direto para mim, esperançoso. “Vamos, Cabo, seu grande viado. Agora é sua vez de contar sua última grande aventura no Brasil”, debochou Gorila, a sobrancelha espessa arqueada e os olhos dum vermelho risonho. Estávamos no famoso Pachuco, um boteco qualquer numa zona segura, de luzes fracas e louça suja. Ouvira os relatos dos outros um tanto quanto entediado, mas sem, jamais, deixar de sorrir em condescendência à putaria compartilhada. Se ninguém conhecia o remédio para a depressão, eu o tinha na ponta da língua: “finja alegria”, dizia, quando me pe...