A arte da briga
Fui encontrá-lo no terraço do nosso prédio, olhando para baixo, para os carros e pessoas que se movimentavam incessantemente. Sabia que o encontraria ali, em seu refúgio, onde ninguém mais pensaria em procurá-lo, exceto eu. Aproximei-me e me recostei na parede, deslizando até o chão, onde sentei sem maiores preocupações. Percebendo minha presença, ele não esboçou reação alguma, limitando-se a me imitar, até estar sentado como eu. Estávamos de costas para o mundo. Acendi um cigarro e ofereci a ele. “Não conta para sua mãe”, recomendei. Ele me olhou com aqueles grandes olhos expressivos e curiosos, como fazia desde os dois anos de idade. Em cada olho também estavam marcados hematomas do tamanho de bolas de tênis. Seu lábio, inchado na parte inferior, junto do roxo escuro dos olhos, fazia-o parecer uma fruta desfigurada. Pegou desajeitadamente o cigarro da minha mão e o tragou. Tossiu, o que me alegrou. “Devia ter imaginado que era o seu primeiro”. “Mamãe não aceitaria”. “E essas m...