Toque
É engraçado pensar que ainda exista pureza no mundo. Os céticos logo torceriam o nariz, "pureza o escambau", diriam, crentes, sim, crentes, de que a desvirtude é um caminho sem volta. Amorais, talvez, ser-lhes-ia inútil imaginar algo como a pureza. Algo tão medieval. Mas nem só de medievalidade, cristianismo, humanismo ou qual seja o prefixo, o radical e o sufixo, vive a pureza. Quando estamos atolados numa lama pegajosa chamada "descrença", situações singelas podem reavivar a noção de puro de que todos precisamos. Sim, pode ser que eu esteja soando como um escritor de livros de auto-ajuda, um desses débeis que pretensiosamente imaginam uma fórmula para o buraco em que nos enfiamos. Porém, eu não quero ajudar ninguém. Antes disso, quando eu escrevo, eu espero sinceramente estar atrapalhando o máximo possível meus leitores. Eu quero deixar todos com dor de cabeça. Com um galo tão grande em seus cérebros miúdos que a única saída desse inferno seja: refletir e compreen...