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Mostrando postagens de dezembro, 2012

Clint Eastwood não gosta da Geração Y

Uma geração de homens criados por mulheres. Crescem paparicados, cheios de amor e ternura. São compelidos a buscar um amor incessante, insaciável, de um seio que nunca realmente abandonaram, de onde nunca largaram suas bocas sugadoras. O mundo está tomado por mimados. Os homens de hoje ousam. Quando erram, choram e buscam a saia de uma mulher, a que estiver mais próxima, tanto faz se é branca, negra, ruiva ou japonesa, para que possam ter reafirmados seus valores mais frágeis. Se não conseguem, esperneiam. São frustradinhos. Esse é o mundo em que vivo. Eu também cresci cercado por mulheres, aprendendo seus valores e ganhando seu afeto. Sabendo seus cheiros e suas vozes. Cresci sendo amado, adorado, idolatrado. Isso não foi ruim. Não é ruim se você é criado por um bando de leoas. Os leões são matriarcais, isso são. A juba é só pose, quem caça e manda é a leoa. O maior desafio para cada humano macho adulto é a conquista da fêmea. Que se dane a carreira profissional, a independência finan...

Manual sobre como superar um grande amor

O casal entrou no café. Não eram um casal no sentido romântico que a palavra evoca, senão dois amigos de longa data: um, homem, a outra, mulher. Sentaram-se defronte um doutro. Ele pediu cappuccino italiano, desgostoso que era das adaptações tropicais. Ela, por sua vez, ordenou uma soda italiana, por nenhum motivo específico, exceto que a aprazia. Então, concedendo a licença requerida pela garçonete, e percebendo-se a sós com ela, ele principiou a falar. - Bárbara, devo agradecer novamente que tenha aceitado o convite. Realmente preciso da sua ajuda. - Dá para ver que não anda bem, Lucas. Aliás, você está péssimo! - Não durmo há três noites. - E o que aconteceu? - Sério? Você não está sabendo? - Não... aconteceu algo sério? - Terminei com a Ale. - Ah... - É... - Poxa, achei que fosse algo mais sério. - É sério! É seriíssimo! Como ainda não sabia disso tudo? Não tem acompanhado meu perfil? - Estou por fora, desinformada. Quase não entro na internet, só para checar meus e-mails e fazer a...

O mundo dos anônimos

Com as bolsas ao redor do mundo reproduzindo quedas após quedas, e se mantendo nessa atividade depressora de maneira sádica, com o Welfare State indo pelo ralo na maioria dos países dito desenvolvidos, com fome, miséria e suicídios sendo noticiados cotidianamente, uma ideia surgiu, em algum lugar, de alguma forma, e os revoltados passaram a expressar sua angústia “ocupando” um espaço público, exigindo, demandando, sem saber bem de quem. Não era um grupo político, econômico e muito menos terrorista. Eram pessoas comuns, tão díspares entre si quanto um advogado pode ser de um pedreiro, mas se orgulhavam de ser a voz dos 99%. Os 99% desprovidos da riqueza do 1%. Esse evento se espalhou pelo mundo. Do Occupy Wall Street, chegamos a ter, e falo agora por uma voz regionalizada, o Ocupa Londrina, que de motivação econômica nada tinha, mas procurava parar as bizarras intervenções urbanísticas num bosque localizado no centro da cidade. Esses “standers” são todos anônimos. O mundo é agora dos ...

Estilo de vida

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Vida de cigano. Eu bem que esperava poder acender uma fogueira no meio dessas caixas e dançar e beber a noite inteira. Ver as saias bailarem e os cigarros baratos serem arremessados em meio à balbúrdia da música acelerada. Acordar em meio à sujeira e descobrir-me com a maior das ressacas, nos braços de uma mulher gorda e calorosa. Pelo menos assim é que eu imagino que um cigano de roupas coloridas viva. Mas eu só resido em meio à bagunça, e me dei conta que os ciganos não são tão “errados” assim. Errar é bom. É instrutivo. Errar de errante, já que eu detesto errar de errado. Disseram-me que eu tenho vida de escritor nova-iorquino, decadente e apreciador das coisas igualmente decaídas. Deve ser verdade. Veja só o estado deste computador. Está amassado, quebrado, estronchado e desmontado. Absolutamente em nenhum ângulo – e eu já procurei olhar de todos - é capaz de lembrar um computador em sua forma original, e no entanto, eu não dou a mínima. O computador quebrou e eu não dou a mínim...