República de homens e ratos
Bem no começo eu pensei que Aline fosse a mulher da minha vida. Simples assim mesmo. “Aline, o amor da minha vida”, tenho certeza que foi isso que meu cérebro pensou em algum instante entre o momento em que a vi e o momento do primeiro beijo, aquele que sela as nossas escolhas amorosas. Ela vestia botas pretas e camiseta rasgada até um pouco abaixo dos seios. Tinha uma pinta perto da boca e uma bunda que pelas proporções métricas se adequava perfeitamente ao tamanho da minha mão. Eu não ligava para os peitos pequenos dela, se é que essa foi a preocupação de alguém, em algum momento. Aline estudava Letras, tocava violão, tinha um labrador, lia Guy de Maupassant e falava palavrão. Pela ordem de preferência em que eu analisava suas qualidades, casaria com ela no mesmo dia em que a conheci, se a garota consentisse. Aline só tinha um problema: trazia enraizada em si todos os valores da classe média que a criou. Não é por mal que o digo, mas era filha de advogado com decoradora. O sonho d...