2011
A areia revolvida nas canelas, as flores brancas jazendo nas ondinhas, sob os pés dos mais festivos, oferendas desprezadas por Iemanjá e vítimas da maré, os pingos de chuva que dão vontade de lamber o céu. Num instante, um rapaz de sorriso lépido estende as mãos e deseja sem nenhum compromisso Feliz Ano Novo. Ele não me conhece. Tampouco os amigos dele, que fazem o mesmo ritual. Noutro ponto, uma voluptuosa garota se despe de seu vestido, instigada pelas amigas, a fim de cumprir alguma promessa, fica seminua, a pele lisa iluminada pela luz da Lua. Passo encarando seus seios e faço um gracejo, mas somente uma das amigas ri. Meu chinelo gruda na areia. As garrafas, seja de Sidra Cereser ou Dom Pérignon, se amontoam sob o trajeto. É preciso tomar cuidado com os cacos de vidro. Uns grupos cantam, pulam, outros se abraçam, a minha fila indiana caminha. No mar, os transatlânticos nos saúdam, vaidosos. Quando olho para trás, seja hoje ou naquele dia, percebo quão grande foi o caminho percorr...