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Mostrando postagens de junho, 2012

O tombo da senhora

Percebi que o mundo estava girando rápido demais quando dia desses andava por uma feira popular com a velocidade e a paciência de um executivo paulistano. Não dei bola para os tomates, as violetas, o queijo branco ou mesmo para o molho de pimenta do pastel do japonês. É o trabalho, com certeza, horários a cumprir, deveres a desempenhar, um ônibus para pegar! Mas de perto, veio um som conhecido: o som de carne estatelada no chão. Era uma senhora de meia idade, com cara de que já vivia de hábitos e, quando possível, da felicidade dos netos. Estava de quatro sobre uma calçada traiçoeira, como se de repente resolvesse virar quadrúpede e se cansasse desse bipedismo simiesco. Olhei para os lados. A feira prosseguia no seu ritmo de gritos rápidos e velhinhas japonesas vagarosas, desconfiadas de preços vis. Ninguém reparava no tombo da senhorinha. Aproximei-me. “A senhora está bem?”, perguntei, polido demais. Ela me olhou surpresa, como se eu a tivesse flagrado cometendo um crime silente. ...

Paulo Betti encontra minha amiga

Em um certo dia, numa discussão acalorada, Paulo Betti resolveu dizer: “Não dá para fazer [política] sem botar a mão na merda”. Foi um daqueles episódios que serviram ao deleite dos donos de jornais, bem como para estigmatizar os petistas como seres antiéticos. Paulo Betti não me conhece e, por tabela, também não conhece minha amiga, que para os fins didáticos desse texto, será conhecida apenas como Amiga, uma mulher jovem, estudiosa, bonita e, o traço distintivo que salta aos olhos de todos, extremamente moralista. Minha Amiga uma vez virou para mim e disse considerar abominável a traição num relacionamento. O papo na roda era sobre um Don Juan qualquer (haverá tantos até o fim dos tempos…) e ela fez questão de pontuar seu asco pelo rapaz com tanta energia que fiquei espantado. É importante sublinhar que a Amiga não é filha de qualquer carola religiosa ou de um patriarca do século XIX, ela é do jeito que é por livremente querer. Passou pela minha cabeça qual seria a punição destina...