Teodora
Apertei a campainha duas vezes. Arfava. O elevador nunca funcionava e sete lances de escada me separavam da superfície até o apartamento dela. Uma sombra se projetou por sob a velha porta. O olho mágico me encarava. - O que você quer? - Vender biscoitos é que não é, Teodora, vamos, abre logo. Ela apenas virou a maçaneta, a porta estava destrancada. Não me abraçou nem me cumprimentou de forma alguma. Apenas balançou o penhoar enquanto me dava as costas e sentava numa grande poltrona. Fiquei esperando. - Estou esperando, disse. - Esperando o quê?, ela perguntou, como se me indagasse qual era o sentido da vida. - Você me convidar para sentar. Ela riu alguns segundos, embora eu tenha impressão que foram minutos. - Victor, vá me pegar um uísque. Copo, gelo, uísque. Teodora gostava de pouco gelo e de muito uísque. Ela pegou o copo e com um grande gole quase deu cabo dele. Depois me encarou com impaciência e me indicou com o pé um puff à sua frente. Sentei-me nele. Ela pousou o...