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Mostrando postagens de fevereiro, 2012

O Carnaval dos Silicones

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Fonte: Futura Press Não vou perder meu tempo falando de beleza. Existem coisas bonitas e coisas feias nesse planeta e não sou eu quem vai determinar o que é o quê. Mas eu tenho meus olhos, é verdade, e eles sabem acompanhar o balançar das coisas. Nesse carnaval, contudo, pouca coisa balançou. Eu tento não ser do tipo saudosista, que olha para uma imagem em preto e branco de Pierrôs contentes pulando em meio aos blocos e pensa “eu queria ter nascido nessa época”. Mas algo ali me incomoda. A simplicidade, a vida como ela é, a autenticidade. Há algo no passado que eu nunca tive. E que eu nunca terei. No Carnaval dos Silicones, os seios das passistas não balançam mais. São firmes, orgulhosos, independentes, separados e rijos. São quase como suas donas. É um carnaval onde cada sorriso às câmeras, cada samba dançado e cada polêmica foi exaustivamente ensaiada. Nessa conta, também entram os seios. O Carnaval não é mais o de 2012, mas o de 300 mililitros. Nada contra a decisão soberana de...

Musa

Ela me vigiou pelo canto do olho. Eu encarei. Ela fez isso por quatro vezes. Pronto, era motivo o suficiente para ir lá conversar. “Eu conheço você”, começaria. “Ah, é? Da onde?”, ela responderia, fingindo um tom de desinteresse. O som estaria alto, eu teria que me aproximar do ouvido dela, de maneira confidente. “Você estava na formatura semana passada. Encostada num balcão, com cara de quem não estava aproveitando”. “Você estava lá também?”. “Sim, fui convidado. Você faz Direito também?”. “Faço, e você?”. “Acabei de me formar”. “Ah…”, e ela olharia para o lado, esperando eu quebrar o gelo. Eu geralmente paro aqui. Não consegui imaginar mais nada para falar, muito embora antes de dormir eu imagine vinte e cinco frases diferentes que poderia usar com você. Ah sim, essa é nossa conversa imaginária, eu ainda não a conheci. Uma amiga me disse que você tem cara de musa. Que poderia ser minha musa. Eu nunca tive uma musa antes, em geral as mulheres dos meus textos são vagabundas ...

Max e Nicholas

Tudo parece iniciar como se eu estivesse emergindo de um longo e profundo sono. As vozes das conversas vão se avolumando ao meu redor, a sombra afugentada pelo sol vai ganhando contornos mais nítidos, revelando formas que antes eram trevas, o vai-e-vêm dos corpos ganha ritmo. Lembro que estou numa rodoviária, sei disso porque vejo malas sendo empurradas aqui e acolá, vejo a gente apressada, vejo ônibus chegando e partindo. Mas, vendo tudo isso, não me lembro como fui parar ali, não recordo como fui sentar naquele banco velho e sujo e não faço ideia de como a passagem para São Paulo, poltrona 27, veio parar na minha mão. A vida corrida parece ter feito isso comigo. Passei a me preocupar mais com qual ônibus pegar, com quais minutos sacrificar, que passos apressar. Deixei de lado todo o resto. Deixei de prestar atenção no mundo ao meu redor, no ar que respiro. Sinto que em algum lugar perto de mim há uma força magnética, me chamando, me puxando. Olho para frente, para trás, procurando....