Marcos Peres, Borges e o Projudi
A primeira vez que li sobre Marcos Peres foi na seção de notícias do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. A notícia não era sobre os feitos dos desembargadores, as estatísticas de produtividade dos juízes ou qualquer outro assunto de pauta jurídica, mas sobre o vitorioso do Prêmio SESC de Literatura no ano de 2013. Então veio a primeira surpresa: o escritor era um técnico judiciário. Sim, aquele cara que faz seu processo ir de um lado para o outro no sistema, das mãos do advogado para as do juiz, o famoso “bate-carimbo”. Ainda que eu estivesse me deparando, talvez, com um desses exemplares raros de burocratas escritores, mais proeminentes no nosso passado (um Lima Barreto, Graciliano Ramos etc), tal fato, na minha cabeça, só poderia se dar na capital do Estado, Curitiba, cidade que, a despeito de concentrar o maior número de pessoas mal humoradas por metro quadrado no país, teria tamanho e dinâmica suficientes para fazer grassar tamanha excentricidade (brinco com a surpresa porq...